Com todos os 24 episódios dessa primeira temporada lançados, Gachiakuta chega ao fim da sua etapa inicial de maneira positiva. A obra de Kei Urana, com os designs de graffiti feitos por Hideyoshi Andou, conseguiu se consolidar como uma das melhores dos últimos tempos, na minha opinião.

Mas antes, vamos à uma sinopse rápida. Em Gachiakuta, acompanhamos a história de Rudo, um jovem que vive no dito Paraíso, um lugar divido entre uma cidade “perfeita” e os guetos, onde os habitantes são tratados como criminosos e filhos são culpados pelos crimes dos pais. Após ser acusado injustamente de ter assassinado seu pai adotivo, Regto, Rudo é condenado a ser jogado no abismo, um local que serve de punição e de depósito de lixo. Lá, ele vai se juntar a um grupo chamado Zeladores, que lutam contra bestas que nascem do lixo jogado do paraíso, e tentar encontrar uma forma de voltar e se vingar de toda a população do Paraíso.

O mote como fator periférico

Mesmo com a cara de ser um shonen básico, uma das características mais interessantes dessa primeira temporada é como a obra subverte expectativas em diversos níveis, todas em função de crescimento dos personagens.

O Rudo mesmo. Nosso personagem principal possui uma série de camadas desde o início. Ele é o personagem cheio de marra e raiva, mas que vai aprendendo a sociabilizar com todos que vai encontrando. E que não precisa correr para a vingança. O momento vai chegar e ele só precisa estar pronto na hora.

Ele, como personagem principal, consegue moldar e ser moldado por todas as interações que teve até o momento, não se atendo a um esteriótipo específico. O mesmo vale para outros personagens, como Zanka e Riyo. Ele sendo uma pessoa que passa o ar de que é um gênio, mas na verdade ele ainda está trabalhando em seu estilo de luta, e ela sendo uma ex-assassina que prometeu não matar mais (só machucar muito).

E isso acaba se espalhando para o roteiro como um todo. A situação fica quase como se você estivesse vendo um truque de mágica. Ele te faz prestar atenção em um ponto específico enquanto está fazendo o truque em outro. Portanto, nunca dá para esperar resoluções básicas para os acontecimentos do roteiro.

Não se engane. A estrutura está toda lá. É uma história que possui um protagonista motivado e com passado triste que encontra um mentor e entra para um grupo com mais 2 jovens, um menino e uma menina. A receita do bolo está ali montadinha.

O que muda mesmo são as decisões que são tomadas por esses personagens e como elas repercutem no meio. Alguns exemplos são como nosso personagem deixa sua vingança de lado para conviver mais com o grupo que o acolheu. Ou quando um nos personagens principais perde em um momento que um anime mais linear ele venceria. Ou até um encerramento de uma luta épica de uma maneira totalmente anticlimática.

Um senso estético único

Outra característica muito importante é o visual. O diretor-geral Fumihiko Suganuma conseguiu coordenar todos os envolvidos em conseguir transcrever o mangá para a tela de uma maneira singular. Essa primeira temporada consegue misturar uma série de estilos de uma maneira muito sutil, criando momentos únicos. O fato de ser tudo ser criado ao redor do grafitti é muito importante.

Geralmente o grafitti é considerado uma arte menor, a sujeira de uma cidade. Uma cultura marginal, que deve ser escondida dos olhos do público. Ao abraçar o grafitti, o anime também traz as maiores características do estilo, como as cores vibrantes e os formatos exagerados.

E isso pode ser visto em toda a produção. Desde o design dos personagens, que permitem você reconhecer todos eles de maneira diferentes. Até as roupas utilizadas nos diversos núcleos permitem que você identifique o povo. No paraíso, por exemplo, todas as roupas da cidade alta é branca com detalhes dourados, lembrando a limpeza do local, enquanto as cidades marginalizadas são todas brancas ainda, mas sujas e desgastadas.

No caso das cidades, ver as paredes pintadas é maravilhoso, pois passa a sensação de vida nos lugares, com os diferentes tipos e estilos de grafittis nas paredes.

A animação acompanha todas as características acima, acentuando os momentos de ação com a fluidez e a velocidade necessária para encher os olhos e trazendo um tom de comédia um nível acima com a caricaturização dos personagens.

Novos animes, velhos problemas

Já deu para perceber que estou bem vendido para Gachiakuta, né? Mas nem tudo são flores…

O maior problema para mim do anime é o fato de que ele acaba dançando no limiar da hipersexualização em alguns momentos. Muito disso é com a Amo. Entendo que toda a história dela esteja envolvida em assédio e que tudo ao redor é feito para ser desconfortável. Mas, mesmo assim, fica me parecendo que é um pouco demais, passando dos limites.

Enfim. Gachiakuta é um belo exemplo de como trabalhar uma ideia e um conceito como um todo faz bem para uma obra. Uma boa história, com animação caprichada e uma construção de mundo que te faz querer conhecer mais dela.

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