Crítica – One Piece: A Série – Temporada 2

Se tem algo que é mais difícil do que criar uma adaptação, é conseguir dar uma continuidade coesa para uma obra. Afinal, conseguir manter o universo coeso depois de setar o tom, mesmo com o “mais e melhor” que cerca obras midiáticas, é uma tarefa complicada.

E o que não faltam são exemplos. Heroes, por exemplo, era uma série que foi bem aclamada, mas que não conseguiu manter a expectativa por conta de uma história super inflada, Westworld, ficou complexa demais, True Detective tentou algo diferente, mas a recepção foi morna, por mudar tudo, de uma maneira mais antológica.

Por isso, claro que eu fiquei com uma pulga atrás da orelha com essa segunda temporada de One Piece: A Série, da Netflix. A primeira temporada é muito carismática por si só. Ela tem seus defeitos, mas seus acertos se sobrepõe em muito, deixando o saldo extremamente positivo. E agora, depois de ver a segunda temporada, posso dizer que meu medo se foi com um sopro de uma fera do mar. E vou contar para vocês, sem spoilers, para que possa curtir as surpresas preparadas.

Sinopse

Antes de tudo, vamos à sinopse. Nessa segunda temporada continuamos a acompanhar Monkey D. Luffy e os Chapéus de Palha em suas aventuras, dessa vez chegando na Grand Line. Porém, seus destinos estarão ainda mais em risco, já que não apenas a Marinha está no encalço deles, mas também a organização de assassinos chamada Baroque Works. Entre o encontro com novos amigos e as lutas com perigosos inimigos, será que nossos heróis vão conseguir continuar na jornada?

O que achamos?

Como disse antes, não tenho medo de dizer que essa segunda temporada supera em muito a temporada anterior. One Piece: A Série pega todos os elementos da primeira temporada, um escopo maior do mundo e faz um ajuste fino muito sublime, recalculando a rota (sem trocadilhos) onde necessário e acelerando a produção onde precisa.

Esses ajustes finos podem ser vistos muito na relação da interpretação dos personagens. Assistindo, eu sinto que o Luffy do Iñaki Godoy está um pouco menos caricato, o Sanji do Taz Skylar, mais galanteador com as mulheres (longe da piada sem graça que virou o personagem no mangá durante um tempo) e o Roronoa Zoro do Mackenyu menos sisudo e até mais risonho.

São pequenos itens, mas para mim foram pontos importantes para deixar esses personagens mais próximos de suas contrapartes animadas. No mais, Emily Rudd e Jacob Romero Gibson continuam o bom trabalho da temporada anterior, mandando muito bem em seus respectivos papeis de Nami e Usopp. Ponto especial para as cenas em que a tripulação toda está comendo ou conversando dentro do barco. O entrosamento entre eles continua fenomenal.

Ainda falando de atuações, as adições de todos os personagens foram muito bem vindas e funcionam muito bem dentro dos arquétipos e até dentro desse mundo expandido. Os destaques aqui vão para Lera Abova como Miss All Sunday, que faz um incrível trabalho como a porta voz do vilão Mr. 0, mas que tem seus próprios interesses também, e Charithra Chandran, como Miss Wednesday, uma vez que ela também carrega seus próprios segredos e pesos.

Ai você me pergunta “Mas e o Chopper?” e eu vou falar que ele pode ser a faca de dois gumes da temporada. Na minha opinião, ele está muito bem. O CGI é bom e funciona, a Mikaela Hoover faz um trabalho muito legal de voz para o personagem e a história dele é muito bem contada. Minha principal dúvida é ver o que vão achar de algumas saídas criativas para os poderes dele, sem entrar em muitos detalhes aqui. Para mim, funcionaram muito bem, mas acredito que esse possa ser o ponto mais discutido desse segundo ano.

Também é muito interessante ver atores mais conhecidos, como David Dastmalchian (Homem-Formiga), Katey Segal (Um Amor de Família), Sedil Ramamurthy (Heroes) e Joe Manganiello (Nonnas) também emprestando seus talentos para personagens tão diversos e divertidos. Mostra o quanto a série tem força no coração da produção e como isso traz a tendência de agregar pessoas.

O roteiro aproveita essa situação e sobe o nível na questão de entrelaçar os acontecimentos. Se aproveitando de que já sabemos muito da história criado por Eiichiro Oda, ele brinca com informações, acontecimentos e personagens que só veríamos muito à frente. Nada muito complexo também, mas que dá um colorido especial para essa nova leva de episódios.

As relações de causa e consequência também parecem muito bem estabelecidas, trazendo um bom crescimento para os personagens e para a história como um todo. O grande destaque aqui fica para Miss Wednesday, que vira praticamente o fio condutor e nossos olhos nesses novos caminhos que se abrem na Grand Line, além de explicar uma boa parte das regras desse novo mundo.

Mesmo cenas e personagens que aparecem apenas para a série acrescentam à história de uma maneira muito interessante, mostrando lados de personagens que, por falta de tempo no mangá/ anime, são mais unidimensionais.

Visualmente, a série continua tão atrativa quanto o ano anterior, se não mais. Cada canto das cidades e ilhas visitadas escondem um personagem, cartaz ou outro detalhe que fazem a caça aos easter eggs valer muito a pena. Porém um dos pontos que mais me tira da fantasia acontece aqui novamente, com a quantidade de closes e cenas fechadas nos personagens e conversas. Não é um problema grande, mas me tira um pouco da imersão dos acontecimentos.

Musicalmente, a série continua competente. As trilhas acompanham os momentos da série com cuidado, não transparecendo muito, mas também não sumindo na emoção, despertando o que precisa de cada cena. Tem algumas delas que tem um destaque maior por serem mescladas com notas de músicas que já conhecemos do anime.

Por fim, One Piece: A Série Temporada 2 é uma grata surpresa de como é possível crescer uma história em seu escopo, sem perder a essência que do que foi criado anteriormente. Tem o coração no lugar certo e edita as informações que conhecemos de uma forma bem azeitada para criar outra temporada muito coesa e entrenhada. Talvez tenham algumas decisões criativas que sejam discutíveis, mas nada que abale o produto final. Foi outra temporada que assisti com um sorriso de orelha a orelha. Que venha a terceira temporada.

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