As cinco integrantes do KATSEYE posam juntas em uma sala, usando looks em tons de rosa, branco, cinza e preto, em imagem promocional relacionada ao filme KATSEYE: Wild Hearts.

KATSEYE: Wild Hearts mostra por que precisamos ficar de olho no grupo | Review

Novo filme do KATSEYE revisita a rápida ascensão de Daniela, Lara, Manon, Megan, Sophia e Yoonchae e antecipa a era WILD, mas deixa algumas oportunidades pelo caminho.

Em pouco mais de dois anos, o KATSEYE passou de um projeto acompanhado pelo público de The Debut: Dream Academy para um dos nomes que mais chamam atenção no pop global. Agora, KATSEYE: Wild Hearts transforma essa ascensão acelerada em um documentário que revisita sucessos, críticas, bastidores e os desafios enfrentados por Daniela, Lara, Manon, Megan, Sophia e Yoonchae.

E talvez a principal conclusão de KATSEYE: Wild Hearts seja bastante simples: é melhor continuar de olho nessas meninas.

O filme chega aos cinemas poucos dias antes de outro momento importante dessa história. Nesta sexta-feira, 14 de agosto, o grupo lança WILD, seu terceiro EP e um trabalho apresentado pelas próprias integrantes como uma nova etapa de sua identidade artística.

Wild Hearts funciona justamente como uma ponte entre tudo o que aconteceu desde a formação do KATSEYE e o que o grupo pretende fazer daqui para frente.

O problema é que, embora essa história seja fascinante, a montagem do documentário nem sempre consegue transformar todo esse material em uma narrativa tão profunda quanto poderia.

O que é KATSEYE: Wild Hearts?

Dirigido por Nadia Hallgren, KATSEYE: Wild Hearts tem aproximadamente 80 minutos e reúne entrevistas com as integrantes, imagens inéditas de bastidores, ensaios, apresentações e vídeos enviados pelos EYEKONS.

Em vez de recontar detalhadamente a formação mostrada em The Debut: Dream Academy e posteriormente em Pop Star Academy: KATSEYE, o documentário concentra boa parte de sua atenção na impressionante transformação que aconteceu depois.

E talvez essa seja uma das decisões mais acertadas do filme.

Quem já conhece a história não precisa assistir novamente à formação do grupo para entender o tamanho do salto que aconteceu desde então.

O que interessa aqui é justamente o depois.

De Touch a Gnarly: KATSEYE cresceu em velocidade impressionante

O documentário revisita diferentes etapas dessa trajetória, passando pelo primeiro EP, SIS (Soft Is Strong), pelo sucesso de “Touch” e pela mudança de direção provocada por “Gnarly”.

A música é um dos melhores exemplos utilizados pelo filme para mostrar como a carreira do KATSEYE foi construída entre riscos e respostas extremamente rápidas do público.

Quando “Gnarly” foi lançada, em 2025, a recepção inicial dividiu opiniões. No documentário, Lara lembra do medo de que a reação negativa significasse que tudo poderia estar dando errado.

Não deu.

A faixa acabou entrando na Billboard Hot 100 e se tornou um dos pontos de virada da carreira do grupo.

Essa sequência ajuda a explicar algo que KATSEYE: Wild Hearts mostra muito bem: as integrantes ainda estão construindo sua identidade artística enquanto milhões de pessoas acompanham cada movimento.

Não existe exatamente espaço para errar em silêncio.

Os melhores momentos de KATSEYE: Wild Hearts estão nas integrantes

Apesar dos grandes palcos e números impressionantes, os melhores momentos do filme aparecem quando Wild Hearts reduz sua escala.

É quando o documentário deixa de falar sobre “o fenômeno KATSEYE” para prestar atenção nas seis pessoas que precisam sustentá-lo que as coisas ficam realmente interessantes.

Yoonchae fala sobre confiança e sobre como costumava repetir praticamente a mesma expressão durante sessões fotográficas por não se sentir tão confortável diante da câmera.

Daniela ganha um momento especialmente significativo ao falar sobre suas origens latinas e a oportunidade de cantar em espanhol em “Gabriela”.

Lara mostra não apenas sua personalidade espontânea, mas também sua vontade de participar mais do processo criativo, inclusive falando sobre “Unloveu”, faixa que ajudou a escrever.

Sophia demonstra naturalmente sua posição de liderança. Não é necessário que o documentário explique: basta observar a dinâmica entre elas.

E Megan protagoniza alguns dos momentos mais importantes ao falar sobre saúde mental e sobre a dificuldade de existir simultaneamente como pessoa e figura pública.

São justamente essas conversas que fazem KATSEYE: Wild Hearts funcionar melhor.

A montagem de KATSEYE: Wild Hearts é seu maior problema

É também aqui que aparece minha principal ressalva com o documentário.

KATSEYE: Wild Hearts toca em assuntos muito interessantes — pressão, insegurança, críticas, saúde mental, exaustão e expectativas —, mas frequentemente parece ter pressa para chegar ao próximo marco da carreira.

Uma conversa vulnerável pode rapidamente ser seguida por uma apresentação, campanha publicitária ou nova conquista.

E isso cria uma sensação curiosa.

Temos acesso.

Mas nem sempre temos profundidade.

Não acho que as falas das integrantes pareçam pouco sinceras. Pelo contrário: alguns desses depoimentos estão entre os melhores momentos do longa.

O problema está na maneira como eles são organizados.

O filme frequentemente parece uma retrospectiva extremamente bem produzida dos “greatest hits” do KATSEYE, dividindo sua história em blocos que precisam avançar rapidamente para o próximo acontecimento.

E talvez isso tenha relação direta com sua função.

Porque Wild Hearts não deixa de funcionar também como uma introdução à era WILD.

WILD prepara uma nova fase para o KATSEYE

O terceiro EP do grupo, WILD, chega nesta sexta-feira, 14 de agosto, e ocupa uma posição importante dentro do próprio documentário.

As integrantes descrevem essa nova fase como uma representação mais autêntica de quem estão se tornando artisticamente.

Depois de “Touch”, “Gnarly”, “Gabriela” e “Pinky Up”, a impressão é que o KATSEYE começa a ganhar cada vez mais autonomia para descobrir que tipo de grupo deseja ser.

E essa talvez seja uma das conclusões mais interessantes de KATSEYE: Wild Hearts.

Apesar de tudo o que já aconteceu, ainda estamos assistindo ao começo.

A conexão com o Brasil poderia ter aparecido mais

Para o público brasileiro, entretanto, existe uma ausência difícil de ignorar.

Em 2026, o KATSEYE passou pela América do Sul e esteve no Brasil durante o Lollapalooza. Mesmo assim, essa experiência ganha pouquíssimo espaço no documentário.

A escolha chama ainda mais atenção diante da própria sonoridade da nova era.

Uma das músicas de WILD incorpora elementos do funk e utiliza palavras em português.

Justamente por isso, esperava que KATSEYE: Wild Hearts estabelecesse uma conexão um pouco mais forte entre essa experimentação e a passagem das integrantes pelo Brasil e pela América Latina.

Não seria necessário transformar parte do filme em um diário de viagem.

Mas havia uma oportunidade muito interessante de contextualizar como um grupo que se apresenta como global absorve referências dos lugares por onde passa.

Principalmente quando uma dessas referências aparece dentro da própria música.

É uma pequena frustração dentro de um documentário do qual, no geral, gostei bastante.

Manon continua fazendo parte da história do KATSEYE

A presença de Manon também chama atenção.

Embora ela não apareça nas entrevistas individuais da mesma maneira que as outras integrantes, imagens gravadas anteriormente continuam presentes e as meninas falam sobre a importância que ela possui para a identidade do KATSEYE.

Sua ausência acaba, inclusive, reforçando um dos temas mais importantes do filme: o impacto de uma ascensão tão acelerada sobre pessoas extremamente jovens.

A discussão ganha ainda outra dimensão diante da pausa temporária de Sophia, anunciada poucos dias antes da estreia do longa.

Em retrospecto, alguns depoimentos acabam adquirindo um peso que provavelmente não possuíam quando foram filmados.

E fica uma pergunta que KATSEYE: Wild Hearts levanta, mas não necessariamente responde:

qual é o custo de crescer tão rápido enquanto milhões de pessoas estão observando?

KATSEYE: Wild Hearts vale a pena?

Sim, principalmente para quem acompanha o KATSEYE ou quer entender por que o grupo conquistou tanto espaço em tão pouco tempo.

Para os EYEKONS, KATSEYE: Wild Hearts entrega bastidores, imagens inéditas e momentos capazes de revelar um pouco mais da personalidade de cada integrante.

Para quem conhece apenas músicas como “Touch”, “Gnarly” ou “Gabriela”, talvez o documentário cumpra uma função ainda mais interessante: contextualizar o tamanho daquilo que aconteceu nos últimos dois anos.

Wild Hearts abre algumas portas, mas frequentemente segue adiante antes que possamos olhar completamente para o que existe através delas, de forma mais profunda.

Ainda assim, gostei bastante do filme.

E sua principal missão é cumprida.

Quando os créditos aparecem, fica a impressão de que tudo aquilo que vimos até aqui — Grammy, festivais, músicas virais e milhões de fãs — pode ser apenas o primeiro capítulo.

KATSEYE: Wild Hearts mostra o passado recente do grupo, registra seu presente e funciona quase como um trailer daquilo que vem a seguir.

E, se WILD realmente representar a evolução artística prometida pelas integrantes, definitivamente vale continuar de olho no KATSEYE.

KATSEYE: Wild Hearts está em exibição limitada nos cinemas brasileiros, com sessões ainda disponíveis nestes próximos dias. Já o EP WILD será lançado nesta sexta-feira, 14 de agosto.

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