Por que você deveria assistir ao novo filme de Hiroshi Okuyama?
O diretor japonês Hiroshi Okuyama, conhecido por seu premiado filme de estreia Jesus (2018), retorna com Sol de Inverno (Boku no Ohisama/My Sunshine), um delicado retrato da juventude ambientado no cenário gélido de uma ilha japonesa. Distribuído no Brasil pela Michiko Filmes, o longa nos apresenta uma história sensível sobre amadurecimento, arte e a complexidade dos laços humanos.
Sinopse e Temática
A trama acompanha Takuya, um garoto introspectivo que se sente deslocado na pequena comunidade onde vive. Enquanto seus colegas se empolgam com o hóquei no gelo, ele encontra um refúgio na patinação artística, especialmente ao observar Sakura, uma jovem promissora no esporte. Incentivado pelo técnico Arakawa, um ex-campeão, Takuya forma uma dupla com Sakura para uma competição. Mas, à medida que o inverno avança, sentimentos emergem e os desafios da adolescência se mesclam com o rigor da patinação.
Embora a sinopse sugira uma narrativa simples, Sol de Inverno vai além, abordando temas como insegurança, descoberta pessoal e o impacto das memórias na formação da identidade.
A Origem do Filme
Okuyama inspirou-se em sua própria experiência com a patinação artística durante a infância, mas enfrentou dificuldades em transformar essas lembranças em um roteiro convincente. A epifania veio ao ouvir a música My Sunshine, da dupla Humbert Humbert, cuja letra inspirou a personalidade de Takuya. A escolha do elenco também foi crucial: os jovens atores de Takuya e Sakura, sem experiência anterior, receberam apenas orientações mínimas para improvisar, conferindo autenticidade às performances.
Sosuke Ikematsu, que interpreta Arakawa, foi escolhido pelo carisma único que o diretor reconheceu durante a gravação de um comercial para a Hermès. Sua presença madura e calorosa é um contraponto perfeito à inexperiência das crianças, criando uma dinâmica rica e envolvente.
Aspectos Técnicos e Estilo
Okuyama, aos 28 anos, mostra maturidade ao conduzir a história a partir da perspectiva infantil, algo que ele mesmo atribui à influência de Hirokazu Kore-eda, um mestre em narrativas intimistas. As cenas de patinação são captadas com uma câmera fluida e sensível, muitas vezes operada pelo próprio diretor em patins, um detalhe que adiciona uma camada de proximidade entre o espectador e os personagens.
O ritmo do filme é contemplativo, refletindo as nuances da vida em uma comunidade onde o tempo parece ser medido pelas estações. A trilha sonora, pontuada pela melodia delicada de My Sunshine, ecoa os sentimentos de melancolia e esperança que permeiam a obra.
Por que assistir?
Sol de Inverno não é apenas um filme sobre patinação ou um romance juvenil. É um lembrete da fragilidade e da força da infância, uma época marcada por sonhos, medos e pequenas vitórias. Takuya e Sakura representam não apenas duas crianças tentando encontrar seu lugar no mundo, mas todos nós, em momentos de incerteza e busca por significado.
Hiroshi Okuyama prova mais uma vez que as experiências mais pessoais e específicas podem se tornar universais quando contadas com honestidade. Sol de Inverno é um convite a revisitar memórias esquecidas e abraçar a simplicidade daquilo que nos torna humanos.
Classificação: ⭐⭐⭐⭐☆
Um filme que aquece o coração, mesmo nos dias mais frios.

Um comentário em “Sol de Inverno: Patinação, Crescimento e a Beleza da Simplicidade”