Resenha – Only Friends: Dream On

SINOPSE: Em uma releitura queer de Romeu e Julieta, a trama acompanha um grupo de estudantes de artes envolvidos em um intenso jogo de paixões, rivalidades e traições durante a montagem de uma peça teatral. Enquanto Jack tenta lidar com o retorno do ex-namorado Dean, outros personagens entram em conflitos amorosos e interesses pessoais que ameaçam transformar o espetáculo em um verdadeiro caos.

Inserindo uma narrativa mais madura e confiante, a segunda temporada de Only Friends (GMMTV) prova que nem todas as continuações dentro do universo Boys Love são ruins.

Com um roteiro mais elaborado e centrado no crescimento pessoal de cada personagem, a série mostra que erros anteriores são aceitáveis quando existe uma verdadeira vontade de evoluir.

Muito diferente do que acompanhamos na primeira temporada — marcada por impulsividade, falta de diálogo e explosões muitas vezes exageradas —, esse novo capítulo mergulha em conflitos mais humanos e próximos da realidade. Pela primeira vez, acompanhamos pessoas reais lidando com dores reais.

A relação inóspita entre Dean e Jack, a friendzone silenciosa de Tua e Arnold e o clássico enemies to lovers entre Rome e Raffy conseguem sustentar seus próprios núcleos, criando camadas individuais sem perder a essência de quem esses personagens realmente são.

A peça Romeo e Romeo, que conduz a narrativa dentro da faculdade de artes, funciona como o coração da série. Seus atos dialogam perfeitamente com cada núcleo apresentado, trazendo começo, meio e fim para as relações que se desenvolvem ao longo da trama.

Também vale destacar o retorno dos personagens da primeira temporada, agora trazendo uma carga mais madura e consciente para suas relações. Até mesmo o antigo “vilão” — vulgo Boston — parece finalmente compreender os limites de suas ações e sentimentos.

E assim como a própria peça, tentarei dividir meus pensamentos sobre os casais em três atos.

Ato I — Dean e Jack

Marcados pela ruptura de um relacionamento que ainda carregava sentimentos mal resolvidos, Dean e Jack conseguem transformar as próprias feridas em conflitos visíveis dentro da relação. Entre provocações, flertes e a evidente incapacidade de viverem completamente longe um do outro, a série deixa claro que amor, sozinho, nem sempre é suficiente.

Não era o ano, o momento ou a maturidade necessária para que ambos alcançassem seu “felizes para sempre”.

Ainda assim, o que mais chama atenção é a forma como a narrativa trabalha a aceitação. Mesmo diante da dor de um coração partido, os dois aprendem que respeito também é uma forma de amor — e talvez tenha sido justamente isso que os trouxe de volta um para o outro no final.

Aqui também preciso destacar Mixx, intérprete de Dean, que mais uma vez se entregou completamente ao personagem. Sua atuação transmite o amor, a luxúria, o medo e a dor com uma intensidade extremamente convincente, carregando emoções que poderiam facilmente soar exageradas, mas que acabam funcionando justamente pela vulnerabilidade que ele imprime ao papel.

Ato II — Tua e Arnold

Partindo de um núcleo mais leve, mas ainda movido por inseguranças pessoais, Tua e Arnold foram uma das maiores surpresas da temporada.

Existe uma evolução perceptível não apenas nas atuações de Joss e Gawin (intérpretes desses personagens), mas também na química entre os dois. Enquanto os outros relacionamentos explodem em caos e intensidade, esse casal oferece momentos de calmaria necessários para equilibrar a narrativa.

Sem grandes excessos ou reviravoltas mirabolantes, a história dos dois conquista justamente pela simplicidade. É bonito acompanhar a paixão silenciosa de Tua crescendo aos poucos, enquanto Arnold começa a compreender sentimentos que já existiam dentro dele, mas que ainda estavam presos entre dúvidas sobre si mesmo e sobre os outros.

E mesmo quando algumas cenas de dança pareciam um pouco desconfortáveis de assistir, ainda era impossível ignorar os olhares alinhados na mesma sintonia e os sorrisos sinceros que arrancavam suspiros genuínos.

Ato III — Rome e Raffy

Talvez o casal que mais evoluiu ao longo da temporada.

De completos estranhos à completos inimigos. De amantes impulsivos a apaixonados intensos.

A trajetória de Rome e Raffy definitivamente não foi fácil de acompanhar — e talvez esse seja justamente o maior mérito dos dois. Durante boa parte da série, a relação parecia oscilar entre extremos a cada episódio, fazendo com que o espectador nunca soubesse exatamente qual seria o próximo passo.

Em muitos momentos era impossível não pensar: “Desiste, Rome. Raffy realmente não tem solução.” Mas, aos poucos, a narrativa transforma esse sentimento em esperança, mostrando que talvez aqueles dois realmente pudessem encontrar algum equilíbrio juntos.

Com uma intensidade necessária e muito bem construída, o casal evidencia toda a força dos AouBoom (atores que interpretam o casal) em personagens cheios de presença e impacto. A evolução nas atuações é ainda mais evidente aqui, principalmente pelo espaço maior que ambos finalmente receberam — um espaço que claramente mereciam ocupar desde o início.

Mesmo entre conflitos clichês, sentimentos não correspondidos, inveja pelo tablado e a constante volúpia dos personagens ao redor, Dream On consegue entregar um final satisfatório, sem pontas soltas. A série se torna uma grata surpresa ao demonstrar que é possível falar sobre dores e amores de forma madura e emocionalmente potente sem precisar recorrer apenas ao choque ou ao caos.

Além disso, a temporada evidencia talentos que, muitas vezes, parecem subaproveitados dentro da indústria BL, entregando personagens mais humanos, relações mais honestas e conflitos que finalmente conseguem tocar o público para além do romance.

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